
O número 2 do "mangá" da Turma da Mônica Jovem superou o nº 1... Sim, superou... Conseguiu ser
ainda pior que o primeiro.
Confesso que li o primeiro número com a maior empolgação, tudo era novo, e eu como apreciadora
de mangá, apoiei a iniciativa.
Mas a revistinha faz uso à exaustão dos clichês mais manjados do mangá, além de perder um
imenso tempo com aquela idéia de "Olha! Nós crescemos!". Parece que eles cresceram de uma
noite para outra, porque adoram disparar a todo momento este 'fato inusitado'.
Mas bem, bem, este foi o primeiro número. Escorregões à parte, ele ainda me parecia
promissor.Tive que repensar o assunto quando li o nº 2.
O que o Maurício tentou fazer com este número 2 exatamente? Uma paródia? Sim, porque a
revista TODA parece uma paródia. Uma paródia de RPG. Uma imensa tiração de sarro de todo e
qualquer clichê de RPG... E o pior de tudo: tenho certeza de que a intenção não era essa.
Assim como no primeiro volume, que faz uso extremo de clichês, o segundo também usa
indiscriminadamente esse recurso, só que baseado em RPG. E a coisa é tão grosseira que acaba
caindo no ridículo, parecendo que o roteirista quis apenas "zoar" com elementos típicos do
Role Playing Game, e não fazer uma aventura séria da turminha.
A princípio, apenas a escolha do tema "medieval" já denota falta de criatividade. Isso já
foi explorado milhares de vezes por milhares de pessoas. Mas fazer o que, o clichê parece
ser a palavra de ordem neste "mangá".
O duro foi ter que engolir uma paródia de RPG que não tinha intenção de ser tal.
Mas se parasse por aí, eu até poderia perdoar... Mas... Por favor,alguém consegue me
explicar por que a roupa do Cebolinha muda toda hora?
A página 62 é um ótimo exemplo... No quadro superior, o botão que segura a capa dele está no
centro, e o saiote tem uma faixa preta saindo do cinto...
Mas, na MESMA PÁGINA, na parte inferior, o botão está deslocado para a esquerda, e a faixa
preta sumiu... Ah, e esse é só um exemplo, se vocês quiserem brincar de jogo de sete erros,
tem muito mais que isso espalhado por toda a revista.

Outro ponto negativo, e este é realmente o pior de todos: parece faltar quadros à narrativa.
Como assim? Explico.
Na página 73, o Cascão solta a seguinte frase: "quem quer andar na montanha russa?"
No mesmo instante eu olhei para a página inteira e me perguntei QUE MONTANHA RUSSA?! QUE
DIABOS ELE ESTÁ FALANDO?!
Cara, fala sério. Em vez de desenhar um quadro inútil com um close no olhos do Cebolinha, e
outra cena que não favorece em nada a tal da montanha russa, o desenhista tinha a obrigação
de desenhar a bendita, e fazer os personagens em segundo plano
correndo para ela.
Se a história é em quadros sequenciais, o desenhista/roteirista tem que me mostrar em
desenho a idéia que quer passar, e não fazer um personagem falar sobre ela. Isso é típico de
amadores, coisa que eu vejo muito em fanzines brasileiros. Eles não entendem que nenhuma cena deve ser
desperdiçada com desenhos inúteis, que não passem a idéia imediatamente.
Deve-se pensar como se fosse um filme, aonde não há nenhuma cena sem propósito.
Fazer um personagem falar sobre a idéia que quer se passar é a saída mais rápida e mais
fácil. Típico de preguiçosos e amadores.
A equipe que está cuidando desse "mangá" me dá um tremendo medo... Além de faltar quadros à narrativa, eles não desenham cenário!
Numa outra cena manjada, a turminha cai num alçapão... E caem... No limbo! Não tem NADA onde
eles caem...Só 4 páginas depois é que vamos entender que eles caíram numa cela (ah, e parece
ter sido super difícil para eles mostrar que era uma cela).
Que desleixo! Que preguiça!
E a última coisa que me deixa profundamente contrariada: Essa equipe sabe realmente o que é
um mangá em sua essência?
Bom, eles parecem pensar que mangá é um amontoado de desenhos com caretas, olhos grandes,
preto e branco com retículas e clichês, clichês, clichês.
Eles mal parecem saber que o que consagrou o mangá foi a sua narrativa, que é
cinematográfica. Todo o resto é consequência. Mas, como um bando de amadores, eles só
conseguem enxergar o superficial.
O que me leva à seguinte questão: Não é o Maurício de Souza que era amigo de Osamu Tezuka?
Não é o Maurício que adora espalhar aos 4 ventos que ele era seu amigo do peito? Simplesmente o pai do mangá atual!
Devia ter aprendido alguma coisa com ele, Maurício! É desconcertante esse paradoxo...
Ainda tento entender como o Maurício lança um "mangá" sem planejamento, sem estudo e larga
na mão de uma equipe amadora, que nem fazer o básico, que são os desenhos, eles fazem.
Péssimo. Nota zero. Se não melhorar isso rapidamente, essa revista vai perder público
rapidinho.
E sim, só usei mangá com aspas mesmo, porque essa revista tá meio longe de mangá ainda..